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Como é o Tratamento do Derrame no Hospital

Resumo Rápido

O tempo é o melhor amigo do seu cérebro [2]. Quando alguém chega ao hospital com um derrame, a equipe médica corre contra o relógio para desentupir o vaso de sangue afetado [2]. O tratamento envolve remédios potentes na veia ou um cateterismo [2]. Além disso, a pressão arterial e o risco de engasgo são vigiados de perto para garantir uma recuperação segura [1, 2].

Imagine o nosso cérebro como uma grande plantação que precisa de água o tempo todo para sobreviver. Nossas veias e artérias são como mangueiras que levam essa água (o sangue) para todas as partes. No derrame isquêmico (que nós médicos chamamos de AVC isquêmico), é como se uma dessas mangueiras ficasse entupida. Sem o sangue, aquele pedaço da plantação começa a secar e as células do cérebro podem morrer rapidamente.[2].

O que acontece no corpo?

O entupimento bloqueia a passagem do sangue, cortando o oxigênio e os nutrientes essenciais [2]. O corpo percebe o perigo e tenta se adaptar. Muitas vezes a pressão arterial sobe bastante, numa tentativa desesperada do coração de "empurrar" o sangue para vencer a barreira do entupimento [1].

A área adormecida ao redor do vaso entupido sofre, mas não morre na mesma hora. Os médicos chamam essa região de "zona de penumbra" [2]. Ela apenas desliga temporariamente, o que causa os sinais clássicos: a boca torta, o braço frouxo ou a fala enrolada. A excelente notícia é que essa região pode ser totalmente salva se o sangue voltar a circular a tempo [2].

Como é feito o tratamento na emergência do hospital

Dentro do hospital, a equipe neurológica utiliza ferramentas modernas e precisas para salvar o cérebro:

  • O remédio desentupidor (Trombolítico): É a principal arma dos médicos na emergência [2]. Se o paciente chega bem rápido, a equipe aplica medicamentos potentes na veia (como a Alteplase ou a Tenecteplase) [2]. Eles agem exatamente como um produto que dissolve a sujeira do ralo, desmanchando o coágulo para o sangue voltar a fluir. Mas atenção: esse remédio só pode ser dado se a pessoa chegar ao hospital nas primeiras 4 horas e meia após o início dos sintomas [2].
  • A "pesca" do coágulo (Trombectomia): É um avanço maravilhoso da medicina [2]. Em entupimentos de canais maiores, o médico passa um tubo fininho (cateter) por dentro dos vasos do corpo, geralmente começando pela virilha, até chegar na cabeça [2]. Lá, ele agarra e puxa o coágulo para fora. Dependendo do caso, com um pouco de sorte, esse procedimento cirúrgico pode ser feito em até 24 horas após os primeiros sinais do derrame [2].
  • O controle cuidadoso da pressão: Exige muita paciência e técnica. Se o paciente for receber o remédio desentupidor na veia, a pressão precisa ser baixada com segurança para menos de 185/110, evitando que a artéria estoure [1, 2]. Porém, se a pessoa não puder tomar esse remédio, os médicos preferem deixar a pressão um pouco mais alta nos primeiros dias para ajudar a empurrar o sangue até a área doente [1, 2].
  • A avaliação do engasgo (Deglutição): Salva vidas de forma silenciosa [2]. Antes de dar qualquer copo de água ou comprimido, a equipe de enfermagem ou fonoaudiologia faz um teste de engasgo [2]. Como o derrame afeta os músculos da garganta, o paciente pode engasgar sem perceber, fazendo com que a água vá parar no pulmão, o que causa uma pneumonia muito grave [2].
  • Os protetores contra novos coágulos: Medicamentos como a aspirina costumam ser iniciados nas primeiras 24 a 48 horas da internação [2]. Eles funcionam como "afinadores" do sangue, evitando que novas placas se juntem e causem um novo susto enquanto o paciente se recupera [2].

Mitos e Verdades sobre o Assunto

Mito: Baixar a pressão alta na marra na hora do derrame é sempre bom

Mentira perigosa. Muitas pessoas acham que a pressão alta no pronto-socorro deve ser baixada de qualquer jeito. No derrame, isso não é verdade [1]. A menos que a pressão esteja excessivamente alta (maior que 220), a equipe médica prefere mantê-la um pouco elevada para garantir que o sangue continue chegando à área que está secando [1, 2].

Verdade: O cateterismo pode salvar o cérebro mesmo horas depois

Verdadeiro. Graças à tecnologia da trombectomia mecânica, pacientes com derrames graves causados por entupimentos grandes podem ter o cérebro salvo e as sequelas evitadas mesmo se chegarem ao hospital em até 24 horas do início dos sintomas [2].

Mito: Deve-se dar aspirina imediatamente após o remédio desentupidor

Mentira. Dar aspirina logo em seguida ao remédio que dissolve o coágulo aumenta muito o risco de sangramentos graves no cérebro [2]. Os médicos aguardam o momento seguro (geralmente realizando uma nova tomografia após 24 horas) para iniciar esses medicamentos com total segurança [2].


Referências Científicas

[1] European Stroke Organisation (ESO). 2025 update to European Stroke Organisation (ESO) Guideline on blood pressure management. Eur Stroke J. 2025; p. 273, 288, 290.
[2] American Heart Association / American Stroke Association. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. Stroke. 2026; p. 455, 457, 465, 487, 514, 530, 558.