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Cuidado com as Emoções e a Memória

Resumo Rápido

Tratar a tristeza profunda e as emoções após um derrame exige a mesma seriedade que se tem ao tratar uma perna fraca. O cérebro precisa de ajuda médica e de muito afeto para se recuperar. Não tenha vergonha de buscar o posto de saúde, pedir apoio da família e usar os remédios indicados. A sua saúde mental é o primeiro passo para a recuperação de todo o corpo.

O nosso cérebro é a nossa verdadeira "sala de controle". É ele que comanda não apenas os movimentos dos braços e pernas, mas também os nossos pensamentos, lembranças e tudo aquilo que sentimos.

Quando o derrame acontece, é como se um grande "curto-circuito" atingisse essa sala de controle. As fiações se embaralham e a energia falha. Isso explica por que a pessoa, de uma hora para a outra, pode começar a chorar sem motivo aparente, ficar irritada ou perder completamente a vontade de viver.

1. Por que a tristeza profunda é tão comum?

A depressão após o derrame é muito frequente. Os estudos médicos mostram que ela atinge quase um terço das pessoas que sofrem a doença [1]. É fundamental entender que essa tristeza profunda é um machucado físico e químico no cérebro. Não é "preguiça", não é "frescura" e muito menos "falta de fé". O derrame alterou a química da alegria do paciente.

O impacto na recuperação é imenso. Se essa tristeza não for tratada, ela piora a dependência física, dificulta a participação na fisioterapia e aumenta até mesmo o risco de um novo infarto ou morte [2].

O uso de remédios é um aliado poderoso. Assim como tomamos remédio para baixar a pressão, o cérebro machucado muitas vezes precisa de medicamentos (os antidepressivos) e de apoio psicológico [3]. O uso desses tratamentos é uma recomendação médica oficial para ajudar o paciente a recuperar o ânimo e a esperança [3]. Não tenha vergonha de aceitar essa ajuda.

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2. O choro e o riso sem motivo (Labilidade Emocional)

A montanha-russa de emoções é mais uma consequência desse curto-circuito na sala de controle. Muitas vezes, o paciente começa a chorar compulsivamente diante de uma visita, ou solta uma risada em um momento sério. Ele sente a emoção de forma desproporcional. Os médicos chamam isso de Labilidade Emocional.

A paciência da família é o melhor remédio nessa hora. É preciso reagir com calma, oferecendo um abraço e mudando de assunto suavemente. Entenda que o paciente não faz isso de propósito e não consegue se controlar sozinho. Pedir para ele "engolir o choro" ou brigar só vai gerar mais angústia e frustração.

  • Vídeo: Fatores Emocionais após o AVC --- Aprenda como o cérebro passa por um "terremoto pessoal" e como a família deve acolher o choro ou riso descontrolado. (Canal: Ação AVC) ▶️ Assistir ao Vídeo

3. Como treinar a memória e a atenção em casa

A reabilitação cognitiva é a fisioterapia da mente. Assim como o corpo perde força, a memória e a atenção também podem ficar fracas após o derrame. Os estudos mostram que o treino focado e os jogos simples ajudam o cérebro a criar novos caminhos para lembrar das coisas [4].

O treino invisível pode ser feito com coisas baratas que você já tem em casa [4]. Estimule a pessoa a tentar fazer a lista da feira de cabeça ou a anotar recados. Atividades em família forçam a mente a prestar atenção e a raciocinar, afastando a depressão e melhorando a independência.

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Mitos e Verdades sobre a Mente e as Emoções

Mito: O paciente não melhora porque não se esforça e tem preguiça

Mentira e muita injustiça. A família costuma confundir os sintomas físicos da depressão do derrame com falta de vontade de viver. A depressão é uma doença real, causada pela lesão na química do cérebro [1]. Acreditar que é só "preguiça" e cobrar esforço de alguém que está com a mente doente só gera dor e culpa. O paciente precisa de avaliação no postinho e remédio [3].

Verdade: Jogar dominó ou baralho são ótimos remédios gratuitos para a memória

Verdadeiro. O cérebro é como um músculo que precisa ser exercitado com frequência [4]. Manter a mente ativa com jogos em família, conversas, leitura e desafios diários ensina os neurônios saudáveis a assumirem o trabalho da área da memória que foi machucada pelo derrame [4].


Referências Científicas

[1] American Heart Association / American Stroke Association. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: Depression prevalence and associated mortality. Stroke. 2026; p. 738, 779.
[2] American Heart Association / American Stroke Association. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: Poststroke depression associated with increased disability and mortality. Stroke. 2026; p. 738, 745.
[3] American Heart Association / American Stroke Association. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: Recommendations for Depression Treatment. Stroke. 2026; p. 737.
[4] European Stroke Organisation (ESO) and European Academy of Neurology. Cognitive rehabilitation, strategy training, and compensatory strategies for post-stroke cognitive impairments. Eur Stroke J. 2021; p. 338, 342, 343.